19/03/2021

Antecedentes do Laboratório - Charles Seashore

 

ANTECEDENTES DO LABORATÓRIO

Charles Seashore

(De Reading Book For Laboratories in Human Relations Training, NTL Institute For Applied Behavioral Science, 1972)

(Traduzido por Mauro Nogueira de Oliveira)

A gênese dos princípios que regem o Grupo T pode ser encontrada em um Laboratório que funcionou no State Teachers College em New Britain, Connecticut, durante o verão de 1946.

Este projeto de investigação sobre a aprendizagem foi patrocinado pela Connecticut Inter-racial Commission, pelo Connecticut Department of Education e pelo Research Center for Group Dynamics, dependente então do Massachusetts Institute of Technology. O objetivo destes patrocinadores era formar líderes locais mais eficientes para facilitar a compreensão e aplicação da lei sobre práticas equitativas na contratação de pessoal. O propósito do patrocinador do projeto, o Research Center for Group Dynamics, era examinar diversas hipóteses relacionadas com as consequências dos incidentes que se produziriam nas conferências e com as condições que determinaria diferentes efeitos sobre os participantes em função da mudança de conduta nas situações que enfrentariam no regresso a seus lares.

Os líderes do treinamento eram Kenneth D. Benne, que pertencia então à Universidade de Columbia; Leland P. Bradford, da Associação Nacional de Educação, e Ronald Lippitt, do RCGD. Os investigadores eram Kurt Lewin, do RCGD; Ronald Lippitt, e três observadores que, nessa ocasião eram estudantes graduados em psicologia social: Morton Deutsch, Murray Horwitz e Melvin Seeman.

Os três pequenos grupos de dez membros cada um, onde os participantes passavam grande parte de seu tempo formal de treinamento, não eram exatamente o que se entende por Grupos T. Se centravam em análise de problemas do meio familiar trazidos pelos membros. O método de ensino e aprendizagem mais utilizado era a discussão em grupo, complementada por atuação de papéis, tanto para diagnosticar os aspectos de conduta dos problemas apresentados como para por em prática alternativas para a solução desses problemas. O plano do currículo formal não considerava a análise de fatos no aqui-e-agora como fontes de aprendizagem. 

Se designou um observador para cada um dos três grupos, que se dedicaram a codificar as condutas de interação dentro deles e a registrar a sequência segundo um programa de observações que fazia parte do plano de treinamento.

Ao começar a conferência, Kurt Lewin havia preparado reuniões noturnas dos membros da equipe de treinamento e os observadores para registrar em gravações o observado nos processos de cada grupo.  Também se tentaria fazer a análise e interpretação da conduta dos líderes, dos membros e do grupo.

A princípio se pensou que só interviriam os membros da equipe nas reuniões noturnas, mas como alguns participantes que estavam vivendo no lugar solicitaram permissão para assistir, depois de algumas discussões se resolveu dar essa oportunidade aqueles que quisessem ir voluntariamente. A equipe não sabia que efeitos provocariam nos participantes a descrição e análise de suas próprias condutas. Tampouco existia uma idéia clara de como manejar as reações de participantes e equipe ante estas experiências.

Na realidade, a discussão franca de suas próprias condutas e as consequências observadas teve um efeito elétrico tanto sobre os participantes como sobre os líderes do treinamento. Em resumo, os participantes colaboraram com os observadores e líderes do treinamento na sua intenção de analisar e interpretar os fatos de conduta.

Não havia passado muitas noites quando todos os participantes, tanto os residentes como os que não o eram, assistiam às sessões. Algumas se prolongaram pelo espaço de três horas. Os participantes declararam que estavam deduzindo dados importantes para a compreensão não só de sua própria conduta mas, também, da de seus grupos.

A equipe de treinamento tomou consciência de que haviam dado, sem querer, com um meio e um processo de reeducação potencialmente poderoso. Se foi possível que os membros de um grupo se enfrentassem de maneira mais ou menos objetiva com os dados acerca de sua própria conduta e com seus efeitos, e que participaram despojados de defesas na reflexão destes dados, poderiam chegar a aprender coisas muito significativas sobre eles mesmos, sobre as respostas dos demais e sobre a conduta e evolução do grupo em geral.

OS PRIMEIROS LABORATÓRIOS REALIZADOS EM BETHEL E O GRUPO T  (1947-1948)

A equipe de treinamento do laboratório que se levou a cabo em New Britain associou-se com outras instituições para planejar um sessão de verão que teria lugar na Academia de Financistas de Bethel, Maine, em 1947, e que se prolongaria pelo espaço de três semanas. Os patrocinadores conjuntos eram a Associação Nacional de Educação e o Centro de Investigação para uma Dinâmica de Grupos do Instituto de Tecnologia de Massachusetts. As instituições que colaboravam eram o Colégio de Educadores da Universidade de Columbia, a Universidade de Cornell, o Springfield College e a Universidade da Califórnia.  A investigação contava com a aprovação do Escritório de Investigação Naval (Office of Naval Research).

Uma das características desta sessão era um grupo de ação contínua chamado Grupo de Treinamento de Habilidades Básicas (Basic Skills Training Group) o Grupo BST, nos quais um observador do processo proporcionava dados para que o grupo os discutisse e analizasse. Uma das funções do líder do treinamento era ajudar o grupo a analisar e avaliar essa informação complementada com os dados proporcionados pelos
participantes e por ele mesmo.

Aqueles que se uniram a Benne, Bradford e Lippitt na planificação do projeto de treinamento para essa sessão foram Robert Polson, da Universidade de Cornell; Paul Sheats, da Universidade da Califórnia em Los Angeles; Alvin Zander, do Springfield College, e John R. P. French do Centro de Investigação, que desempenhava o papel de diretor de investigações. (Kurt Lewin, que estava muito interessado no projeto,
morreu em fevereiro de 1947). Este grupo se encarregou de confeccionar o programa do Grupo BST, antecessor imediato do Grupo T.

A concepção inicial do Grupo BST fica mais clara com as descrições que se publicaram então.

Lugar para a aprendizagem de habilidades inerentes ao agente de mudança. Qual é o contexto comum que ajuda o assistente de um grupo, ao supervisor da escola pública, aos consultores da indústria, ao presidente da associação de pais e mestres, ao técnico de treinamento do governo...considerando suas especialidades como recursos para os demais? A experiência de laboratório confirmou que todos eles poderiam encontrar um terreno comum no papel de agente de mudança. Todos....colaboram na produção de mudanças na compreensão, atitudes e habilidades das pessoas e grupos com os quais trabalham. Todos....devem, por exemplo, dar sua ajuda para que as pessoas diagnostiquem seus problemas, planifiquem os meios para resolvê-los e façam uma avaliação de seus planos ao prová-los e examiná-los...O fato de ajudar a pessoas e grupos requer certas habilidades básicas próprias das relações humanas que podem identificar-se, analisar-se e por-se em prática. Quais foram as habilidades que os cinco Grupos BST identificaram, discutiram e puseram em prática? Aqui apresentamos os campos de habilidades mais importantes:

     Primeiro campo de habilidades: reconhecimento por parte do agente de mudança de suas motivações     pessoais e de suas relações com os destinatários de sua ação.

     Segundo campo de habilidades: ajudar os destinatários a tomar consciência de sua necessidade de mudança e dos processos de diagnóstico.

     Terceiro campo de habilidades: diagnóstico de sua situação em função da conduta, compreensão e     sentimentos a modificar, realizado em colaboração pelo agente de mudança e o destinatário de sua ação.

     Quarto campo de habilidades: decisão acerca de um problema incluindo os demais não só na decisão mas, também, no plano de ação e em sua realização.

     Quinto campo de habilidades: execução do plano de maneira feliz e produtiva.

     Sexto campo de habilidades: a avaliação como meio de comprovar o progresso em conjunto, os métodos de trabalho e pensamento e as relações humanas.

     Sétimo campo de habilidades: continuação, difusão e manutenção das mudanças realizadas.

Um lugar para aprender a entender e ajudar por meio do crescimento e desenvolvimento do grupo.

O primeiro passo foi fazer com que os delegados tomassem consciência de que provavelmente os grupos sofrem um processo de crescimento igual ao dos indivíduos, de que a união de indivíduos adultos maduros nem sempre constitui um grupo maduro, de que mais de um fracasso em muitos comitês e reuniões se deve à expectativa de obter uma produção adulta dos grupos infantis ou adolescentes. Uma lista experimental assinalou os seguintes sintomas de crescimento e fortaleza de grupo.

a) intercomunicação excelente entre os membros do grupo (compreensão comum, sensibilidade semântica, possibilidade de discutir com liberdade e não à defensividade, entre outros aspectos).

b) objetividade do grupo a respeito de seu próprio funcionamento (grau de possibilidade do grupo para fazer e aceitar avaliações e análises de seu próprio comportamento).

c) aceitação de responsabilidades como membros de um grupo (vontade de aceitar e compartilhar tanto as funções de líder e as responsabilidades de um membro, como a capacidade para perceber e alentar a contribuição potencial de cada membro).

d) coesão do grupo ou força dele (suficiente para admitir a assimilação de novas idéias e de novos membros, para tirar proveito dos conflitos em vez de permitir que estes o destruam, para sujeitar-se a objetivos a longo prazo e para tirar partido tanto das situações de êxito quanto das de fracasso).

e) capacidade do grupo para informar-se e para pensar corretamente (capacidade para usar tanto os recursos da equipe como os externos a esta e para detectar e corrigir as falácias nos raciocínios do grupo).

f) capacidade do grupo para detectar e controlar o ritmo de seu próprio metabolismo (fadiga, tensão, movimento, marcha, atmosfera emocional).

g) capacidade do grupo para reconhecer, controlar e empregar fatores sociométricos significativos em seu próprio crescimento.

h) capacidade do grupo para integrar as ideologias, necessidades e metas dos membros com as tradições, ideologia e metas do grupo.

i) capacidade do grupo para criar novas funções e grupos à medida que seja necessário e para pôr término em sua existência no momento apropriado.

Depois de uma discussão bastante breve destas dimensões do crescimento de grupo, se chegou na maior parte dos grupos de treinamento de habilidades básicas, à decisão de examiná-las confrontando-as com a conduta e evolução do grupo...Em um grupo característico deste tipo, o observador...comunicaria o grupo o que houvera percebido. Isto estimularia a discussão e ajudaria o grupo a indagar mais fundo seus próprios processos. À medida que estes grupos progrediam, surgiram várias crises, sofreram experiências de fracasso temporal como resultado de sua imaturidade, competiam e se agrediam uns aos outros como indivíduos. Tanto o observador como o líder trataram de manter o foco do treinamento sobre estes sintomas da imaturidade ou do mau funcionamento do grupo...Neste processo de laboratório de análise e diagnóstico da dinâmica do funcionamento do grupo, os delegados acrescentaram sua capacidade para reconhecer os distintos níveis no desenvolvimento deste...Os distintos grupos analizaram não só os processos de grupo mas, também, as variadas atitudes dos membros presentes e os papéis de membro que deveriam ser preenchidos.

AS DIVERSAS FUNÇÕES DO GRUPO BST

O Grupo BST se pensou, então, como um meio para realizar várias classes de aprendizagem. Em primeiro lugar, uma de suas funções era ajudar aos membros a analizar alguns conjuntos mais ou menos sistemáticos de conceitos. Um deles era o esquema de uma mudança planejada ou deliberada e das técnicas requeridas pelo agente de tal mudança. Outro de ditos conjuntos teria a ver com os índices e critérios de evolução grupal que, por sua vez, pressupunham o conhecimento de um conjunto bastante complexo de variáveis de grupo e a capacidade para percebê-las.

Uma segunda expectativa consistia em que o grupo proporcionaria prática no diagnóstico e nas habilidades de ação do agente de mudança e dos membros e líder do grupo. Deste modo, a prática de habilidades, por meio de desempenho de papéis, representou uma parte muito importante na metodologia dos Grupos BST durante 1947 e 1948.

Também se esperava que o conteúdo de conduta cobrisse toda a gama da "organização humana", desde o nível interpessoal e de grupo, até o intergrupal (tanto em organizações formais como em "comunidades").  Como resultado surgiu uma competição entre discutir os fatos aqui-e-agora, que por necessidade se concentravam nos níveis pessoal, interpessoal e de grupo, e discutir materiais de casos exteriores.  Algumas vezes, o resultado foi a rejeição de alguma consideração séria da informação de dados sobre a conduta transmitido pelo observador. Com mais frequência conduziu à eventual rejeição de problemas exteriores por considerá-los menos abarcadores e fascinantes.

Uma quarta expectativa consistia em que o Grupo BST ajudasse a seus membros a planejar a aplicação do aprendido no laboratório nas situações que se lhes apresentassem ao regressar a seu ambiente e a ter em conta o crescimento contínuo deles mesmos e de seus associados. Em quinto lugar se esperava que os membros obtivessem uma visão mais objetiva e exata de si mesmos em suas relações com outras pessoas no grupo e com o grupo em desenvolvimento como um todo.

A sexta expectativa era que os participantes chegassem a uma compreensão mais clara dos valores democráticos.  Para isto se trataria de que estes valores operassem em relação com os princípios de metodologia necessários para atuar como líder ou membro de um grupo ou como iniciador e favorecedor da mudança.Os criadores do laboratório estavam convencidos de que os compromissos éticos implícitos na empresa científica, são compatíveis com os compromissos éticos explícitos nas pautas democráticas de condução e de controle social quando estas estão metodologicamente formuladas. Acreditavam que a experiência do Grupo BST reforçaria os valores democráticos sustentados pelos participantes. Criou-se um meio para avaliar as mudanças produzidas na dimensão da aprendizagem. Um ponto que se prestou a muitas controvérsias e ainda hoje continua sendo motivo de sérias discussões É o modo pelo qual os membros do grupo levam adiante o treinamento destinado a favorecer uma reorientação de valores.

A sétima expectativa se referia a que os membros do Grupo BST adquiririam não só as habilidades e a compreensão que lhes facilitariam uma ação mais adequada como agentes de mudança e como membros de um grupo, mas, também, aquelas que são próprias do instrutor e que tornariam possível que eles a transmitissem aos outros. Isto se indica com clareza no informe da segunda sessão do laboratório (1948): "Se deu maior ênfase na prática de habilidades de liderança de grupo, de treinamento em relações humanas, e da indução da mudança social". Esta expectativa resultou embaraçosa para a equipe de treinamento do laboratório depois da primeira sessão. Alguns participantes voltaram para casa sentindo que estavam qualificados para conduzir um treinamento de relações humanas.  Uns poucos participantes cuja educação anterior não garantia esta pretensão levaram a cabo alguns projetos inadequados em nome do "laboratório de treinamento". Em fins de 1948 se tomou consciência de que para adquirir uma competência adequada no terreno do treinamento das relações humanas, era necessária uma base de alguma das ciências sociais e um treinamento/desenvolvimento durante mais de três semanas de sessões de laboratório. Só em 1955 se instituiu em Bethel um programa superior especial para a formação de instrutores.

A equipe de treinamento que atuou em 1948 se convenceu de que o grupo de treinamento suportava uma sobrecarga de objetivos de aprendizagem. Se viu a necessidade de criar novas agrupaçöes dentro do laboratório para complementar pelo menos alguns dos cinco conjuntos de objetivos. A dúvida que se suscitou então foi quais se deveriam destinar ao Grupo BST ou a seu equivalente e quais seriam melhor obtidos
mediante o uso de outras agrupaçöes e de outras metodologias de treinamento.

Como minimizar a resistência às mudanças - Arnold Judson

 

COMO MINIMIZAR A RESISTÊNCIA ÀS MUDANÇAS

Arnold Judson

Nenhum grande aperfeiçoamento será possível, em toda a humanidade, até que se opere uma grande mudança na constituição fundamental no modo de pensar dos homens.
John Stuart Mill

O novo não é o contrário do velho, mas o oposto das prisões que nos impomos.
Arthur da Távola


CONCEITOS GERAIS

É necessário reconhecer-se, de início, que a resistência a uma mudança não é o problema fundamental a ser resolvido.  Pelo contrário, ela é geralmente um sintoma de problemas mais básicos, subjacentes na particular situação. Focalizar as atenções apenas sobre o sintoma trará, quando muito, resultados limitados na solução do problema. Da mesma forma, um comprimido poderá aliviar temporariamente a dor de um dente infeccionado, mas essa dor voltará cada vez com maior intensidade até que o dente seja tratado por um dentista. Assim, para encontrar uma solução realmente eficiente, devemos olhar além do sintoma, que é a resistência para suas causas básicas. 

Quais seriam, em relação às mudanças, esses sintomas? 

COMPULSÃO

Compulsão é um meio pelo qual um indivíduo pode tentar influenciar ou controlar o comportamento de uma outra pessoa. 

Na maior parte das organizações que operam dentro de um esquema cultural "ocidental", a compulsão através do uso de autoridade como método de instituir e implantar mudanças, inevitavelmente aumentará a frustração dos que nela estiverem envolvidos. Isso ocorrerá por força das limitações adicionais que lhe são impostas. Sua frustração também aumentará como consequência das maiores limitações da sua liberdade de agir.

Finalmente, suas frustrações aumentarão em função do aumento de sua dependência. 

O resultado inevitável dessa frustração intensificada será a ocorrência de sentimentos mais intensos de agressividade e hostilidade. Em muitas instâncias o resultado final será de maior resistência à mudança. Portanto, a compulsão e o uso da autoridade, no trato de uma mudança, servirá para aumentar a oposição a ela. 

PERSUASÃO

A essência da persuasão é convencer um indivíduo de que terá muito a ganhar, conduzindo-se do modo que se deseja que ele o faça. 

Tanto a extensão como a natureza de qualquer persuasão usada em uma situação de mudança são variáveis de primeira importância na determinação do sucesso dessa mudança. A efetividade da persuasão como meio de influenciar a conduta de outros depende da medida em que as recompensas oferecidas sejam tanto relativas às razoes da oposição como possa contrabalançar e superar as mesmas. 

SEGURANÇA

A medida em que as garantias de uma pessoa são ameaçadas ou fortalecidas em uma situação de mudança é uma outra variável de grande influência sobre a oposição, sendo também suscetível de ser controlada pela gerência. 

Frequentemente, uma mudança representa uma certa ameaça à segurança daqueles que ela irá afetar. Daí resultam temores de superfluidade, tanto para o empregado em questão como para outros do seu grupo de trabalho. Esses temores devem ser eliminados, para que se possa minimizar a oposição da mudança. 

COMPREENSÃO

Existe uma relação direta entre a medida em que os envolvidos em uma situação de mudança entendam essa mudança, e todas as suas implicações e a resistência que lhes opõem. Quando tantos quantos for possível, dentre os envolvidos, compreenderem tanto quanto for possível a respeito da mudança (e, em particular, da maneira pela qual ela os afetará), sua oposição provavelmente diminuirá. 

Quando, por outro lado, poucas informações forem tornadas disponíveis, criar-se-á um vácuo pela falta de fatos. Esse vácuo se encherá de conjecturas e suposições e, nessas circunstâncias, a oposição a uma mudança provavelmente será grande. 

TEMPO

A extensão de tempo entre o anúncio de uma mudança iminente e o início da sua execução tende a variar inversamente à extensão da resistência, desde que as informações a respeito dessas mudanças possam ser compartilhadas e discutidas livremente. Isto é, quanto mais extenso for o período de tempo, menor será a resistência oposta. Por outro lado, o período de tempo que se necessita para realizar a mudança tende a variar em proporção direta à resistência: quanto mais longo o período, maior será a resistência. 

ENVOLVIMENTO

É claro que quanto maior o envolvimento pessoal, na tomada de decisões a respeito de uma mudança, tanto menor será a oposição a essa mudança. 

CRÍTICAS

Quando uma pessoa sente-se criticada, torna-se ofendida e coloca-se na defensiva. Seu ressentimento e sua irritação são naturalmente dirigidos à fonte das críticas, quer seja a própria crítica ou seu criador. Essa irritação e ressentimento podem facilmente traduzir-se em uma resistência contra a mudança. 

Portanto, quanto maior for a sensação de estar sendo criticado, tanto maior será a resistência oferecida. 

FLEXIBILIDADE

É evidente que a execução inexorável e rígida de uma mudança, que não permite modificações nos métodos da sua realização, inevitavelmente provocará resistência. Por outro lado, a razão dessa resistência desaparecerá quando os atingidos pela mudança acreditarem haver latitude suficiente, nos métodos usados, para suas sugestões e contribuições, assim como para quaisquer fatores imprevistos a serem incorporados. 

COMO MINIMIZAR A RESISTÊNCIA ÀS MUDANÇAS

Não é verdade, conforme afirmam muitos psicólogos industriais, que a natureza humana oponha resistência às mudanças. Pelo contrário, não existe qualquer outro ser, no céu ou na terra, tão faminto de coisas novas. Mas existem condições para que o homem esteja psicologicamente preparado para as mudanças. Estas devem lhe parecer racionais, visto que o homem apresenta a si próprio, como sendo racionais, até suas mais irracionais e errôneas mudanças. Ela deve parecer a ele um aperfeiçoamento e não pode ser tão rápida ou tão grande que chegue a eliminar os marcos psicológicos que o deixem à vontade: a compreensão de seu trabalho, suas relações com seus companheiros de serviço,
seus conceitos de especialização, prestígio e posição sociais em certos empregos e assim por diante. 
Peter Drucker
 

MÉTODOS

PERSUASÃO, RECOMPENSAS E NEGOCIAÇÕES

As técnicas usadas para persuadir os empregados a aceitarem uma mudança dependem da oferta de recompensas. Isso poderá ser feito ou unilateralmente ou dentro do esquema de negociação. O sucesso desse enfoque depende da eficiência com que a administração: 

     Iguala as recompensas que oferece às necessidades e objetivos dos empregados.
     Considera com seriedade todas as reclamações e sugestões.
     Faz algumas concessões, a fim de conseguir a maioria dos seus objetivos. 

SEGURANÇA E GARANTIAS

As principais causas dos sentimentos de insegurança e de temores de superfluidade poderão ser melhor minimizadas por uma promessa da gerência de que não haverá qualquer superfluidade, em consequência da mudança. Como uma alternativa menos desejável, a gerência poderá prometer manter os ordenados daqueles que fossem considerados excedentes, até que conseguissem arranjar um outro emprego. Para reduzir os sentimentos de insegurança resultantes de temores de incapacidade pessoal, a gerência pode oferecer programas de treinamento, organizados de acordo com as necessidades dos empregados. A gerência poderá enfrentar as outras razoes da existência de sentimentos de insegurança desenvolvendo com compreensão a respeito do que, provavelmente, será o resultado da mudança. 

COMPREENSÃO E DISCUSSÃO

Durante uma situação de mudança, a operação de muitos mecanismos e ligações normais de comunicação ficam, muitas vezes, interrompidos e prejudicados. Para compensar esse fato, a gerência deve dar especial atenção e seus melhores esforços para comunicar uma compreensão completa de cada um dos aspectos da mudança e das suas prováveis consequências.  Deve ela usar todas as técnicas viáveis de comunicação. A linguagem usada deve ter relação com o esquema de referência daqueles a quem é feita a comunicação. Dentre todas as técnicas possíveis de comunicação, a gerência deveria fazer o máximo uso de discussões face a face, tanto com indivíduos como com grupos. Essa técnica é a forma mais eficaz de assegurar que as perguntas que realmente mais preocupam as pessoas envolvidas na mudança estão sendo respondidas. Além disso, as discussões são o meio mais eficaz para melhor determinar o grau de verdadeira compreensão que se está obtendo. 

O TEMPO E O MOMENTO OPORTUNO PARA AGIR

A administração de uma organização deve marcar uma mudança com base em vários fatores cuidadosamente considerados.
Assim fazendo, ela deverá comparar os custos dos cursos das várias ações alternativas. Na maior parte dos casos, descobrirá que o custo de devotar mais tempo a preparar seus empregados para a mudança será menor do que o custo de uma oposição maior e
benefícios menores. A administração deverá também marcar a data da mudança de modo que esteja coordenada a outros acontecimentos de importância que ocorram tanto dentro como fora da empresa. 

ENVOLVIMENTO E PARTICIPAÇÃO

A participação é uma das técnicas administrativas mais potencialmente eficazes para transformar em apoio ativo quaisquer resistências possíveis contra uma mudança. No entanto, é uma técnica que deve ser usada com muito cuidado, e somente na presença de certas condições prévias necessárias ao bom resultado da participação. 

CRÍTICAS, CERIMÔNIA E DEPENDÊNCIA DO PASSADO

Um gerente pode ver-se tentado a se impacientar com práticas e tradições passadas e a encarar com algum cinismo o uso da cerimônia. Porém, ao rejeitá-las, está deixando de servir-se de métodos muito úteis para reduzir a resistência oposta a uma mudança. 

FLEXIBILIDADE E A ABORDAGEM-TENTATIVA

Introduzir uma mudança primeiramente em forma de tentativa ou experiência tende a reduzir a ameaça que ela representa para aqueles que são por ela afetados. E, como consequência, a resistência dessas pessoas contra a mudança, em sua forma final, será bem abrandada. 

RAZOES POSSÍVEIS PARA RESISTIR ÀS MUDANÇAS

Perdas presumidas: valores negativos

Perdas econômicas temidas 

     Pede-se que trabalhe mais, pelo mesmo ordenado.
     Essa mudança resultará em uma aceleração do serviço. Meu ordenado será reduzido.
     Exigirão de mim um número menor de especializações. No final das contas sairei ganhando menos.
     Perderei grande parte das horas extras que estava fazendo.
     Minhas oportunidades de promoção serão reduzidas. 

Temores quanto a segurança pessoal 

     A nova situação exige que eu aprenda uma nova tecnologia ou novas especializações. Duvido que seja capaz de fazê-lo.
     Duvido que eu seja capaz de satisfazer os novos padrões de trabalho que serão exigidos.
     Serei responsável por defeitos de qualidade ou controle de qualidade sobre os quais não poderei ter influência.
     A nova situação envolverá um aumento dos riscos de segurança, para mim.
     Esta mudança tornará alguns empregados supérfluos. Não quero perder meu emprego.
     Estarei mais vulnerável à possibilidade de me tornar dispensável, no caso de futuras reduções nas atividades da empresa.
     Duvido da minha capacidade de dar conta de maiores responsabilidades. 

Temores quanto a uma inconveniência pessoal maior 

     As novas condições de trabalho serão menos agradáveis (físicas, ambientais, localização, movimentação, horas).
     O trabalho será mais difícil.
     Terei de trabalhar mais.
     Essa mudança irá interferir em minha vida particular (horários diferentes, mais viagens etc.).
     Terei de mudar meus hábitos de muitos anos. O que há de errado em continuar a trabalhar da mesma forma que estou trabalhando agora? 

Temores quanto a menores satisfações no trabalho 

     Este novo trabalho será menos interessante.
     Há uma motivação menor nesse novo serviço.
     As pressões sobre mim serão maiores (ou diferentes).
     Terei menores (ou maiores) responsabilidades.
     Minha autoridade está sendo reduzida.
     Estarei recebendo muito mais (ou menos) supervisão.
     Esse novo trabalho, na verdade, não exige minhas habilidades e treinamento.
     Essa nova situação será muito restritiva. Terei menos oportunidades de contribuir com minhas idéias e sugestões.
     Essa mudança não se enquadra, absolutamente, nos meus planos a longo prazo para a minha carreira. 

Temores sociais 

     Serei rebaixado de posição.
     Se eu cooperar com esta mudança os outros pensarão mal de mim. Minhas relações futuras serão afetadas adversamente.
     Terei menor contato com o que se passa na empresa (ou departamento).
     Não gosto de trabalhar sozinho. Sinto maior satisfação em trabalhar em equipe.
     Preocupa-me ter Y como supervisor. Sua reputação não é boa. Duvido que nos demos bem.
     Essa mudança atrapalhará minhas relações com meus clientes (ou fornecedores, ou outras pessoas fora da empresa).
     Estarei estabelecendo precedentes ao cooperar com essa mudança. Estarei comprometendo outras pessoas a seguirem meu exemplo.
     O sindicato não verá com bons olhos meu envolvimento com essa mudança. Estarei afetando suas relações com a empresa.
     Terei de deixar meus antigos companheiros de trabalho. Gosto do lugar onde estou trabalhando. Não desejo ter de fazer novos amigos.
     Não quero ser a causa de outros serem considerados desnecessários para as novas funções. 

Irritações contra a maneira de fazer a mudança 

     Sinto-me infeliz por ter sido selecionado. Devem ter algo contra mim.
     Ninguém pediu minha opinião. Bem que eu tinha algumas coisas para dizer.
     Se continuarmos com isto, não será possível voltar atrás. Não gosto dessa idéia de impossibilitar um recuo.
     Estão fazendo isso depressa demais. Gostaria que me dessem uma oportunidade de pensar um pouco sobre o problema.
     Na realidade essa mudança é desnecessária. Não vejo razão para mudar. 

Má compreensão das razoes da mudança; atribuir-lhe motivos errôneos. 

     Não gosto de engolir nada à força.
     Essa idéia não é melhor do que aquilo que estamos fazendo agora. Que espécie de especialista é ele? Como pode saber mais do que eu,
     se nem trabalha aqui?
     É muita coragem da parte dele concluir que temos vivido na moleza até agora. Temos trabalhado bastante e feito um bom trabalho.
     Essa mudança chega como um grande choque. Veio de modo tão súbito e inesperado. 

Crenças Culturais 

     Essa mudança vai contra aquilo que sei estar certo. Tal mudança é inconcebível. Não dará certo nunca.
     Essa mudança está em desacordo com aquilo em que acredito.
     Por que devo cooperar com a gerência? O meu lucro será sempre o menor.

Cultura Ideológicas, comportamentais e materiais de indivíduos e grupos - Pitirim Sorokin

 

CULTURAS IDEOLÓGICAS, COMPORTAMENTAIS E MATERIAIS DE INDIVÍDUOS E GRUPOS

Pitirim Sorokin

Novas Abordagens Sociológicas
 



Um indivíduo ou grupo pode possuir um dado fenômeno cultural apenas sob a forma ideológica. Por exemplo, um indivíduo ou grupo pode conhecer muito bem a ideologia - isto é, a totalidade dos significados, valores e normas - do comunismo ou do budismo, sem praticá-los, sem objetivá-los mediante um conjunto de objetos e veículos materiais, tais como um templo budista com os respectivos objetos rituais ou um clube comunista com os seus retratos de Marx, Lenin e Stalin. Os cristãos que professam ideologicamente o Sermão da Montanha, mas não o põem absolutamente em prática em sua conduta ou em sua cultura material, são apenas cristãos ideológicos. O mesmo se aplica a todo fenômeno cultural que funciona unicamente no nível ideológico, sem influenciar a conduta e a cultura material de indivíduos e grupos. 

Quando indivíduos e grupos começam a praticar em suas ações exteriores as ideologias do comunismo, do cristianismo ou do budismo, suas culturas se tornam comportamentais além de ideológicas. Quando, além disso, as ideologias se concretizam através de veículos materiais que as "encarnam" e "objetivam", o budismo, o comunismo e qualquer outro fenômeno cultural (significativo) assumem uma forma "material". 

Destarte, todo fenômeno cultural pode apresentar-se sob uma forma quer puramente ideológica, quer ideológica e comportamental, quer ideológica, material e comportamental. A forma puramente ideológica é a que tem raízes menos fortes no universo empírico. Quando se enraíza na conduta e nos objetos materiais de um indivíduo ou grupo, torna-se mais profundamente e mais fortemente consolidada do que quando permanece mera ideologia. Como realização comportamental e material, converte-se num fator a moldar não só idéias e significados, mas também a conduta exterior e as relações mútuas de seres humanos em seus objetos e processos tanto físicos como biológicos. 

Em resumo: (1) a totalidade dos significados-valores-normas possuídos por indivíduos ou grupos constitui a sua cultura ideológica; (2) a totalidade de suas ações significativas, através das quais se manifestam e realizam os puros significados-valores-normas, representa a sua cultura comportamental; e (3) a totalidade de todos os outros veículos, os objetos e energias materiais e biofísicos por meio dos quais se externa, consolida e socializa a sua cultura ideológica, forma a sua cultura material. Deste modo, a cultura empírica total de uma pessoa ou grupo é composta desses três níveis culturais - o ideológico, o comportamental e o material.

Práticas Grupais - Histórico - Osvaldo Saidon et al

 

PRÁTICAS GRUPAIS - HISTÓRICO

Osvaldo Saidon et al.

(Práticas Grupais, Editora Campus, Rio de Janeiro, 1983)


Esta breve introdução histórica visa unicamente a assinalar os antecedentes mais significativos daquelas escolas de Psicoterapia de Grupo que podem ser consideradas as de maior difusão na atualidade. O objetivo da mesma será, portanto, o de ajudar a situar o leitor no complexo panorama em que se apresenta a Psicoterapia de Grupo em nossos dias. Carecemos ainda, por conseguinte, de um verdadeiro trabalho de
pesquisa historiográfica sobre a produção de conhecimento em relação aos grupos, particularmente daquela desenvolvida em nosso país. Este estudo, quando empreendido, deverá tornar-se um substrato imprescindível para a produção de uma escola de Psicoterapia de Grupo que seja produto de nosso próprio desenvolvimento político-cultural. 


Sem dúvida - e nisso coincidem diferentes autores - foi o desenvolvimento tanto da Psicanálise como da Microssociologia aquele que permitiu o surgimento de um pensamento original em teoria dos grupos, assim como a difusão da grupoterapia em diferentes países. Destacamos ainda, no quadro, o Psicodrama como uma das práticas que, desde os primórdios, contribuiu com uma série de conceitos férteis à dinâmica grupal.
Teve o Psicodrama o valor histórico de, a partir da genialidade de Moreno, intuir uma série de articulações possíveis entre o pensamento sociológico e a Psicologia, tanto através de seu teatro terapêutico como de sua proposta sociogramática. 

Nos dias atuais existem inúmeras práticas grupoterapêuticas onde se entrelaçam ecleticamente e, às vezes, sem reconhecimento explícito, as três tendências originais: a Microssociologia de K.Lewin, a Psicanálise e o Psicodrama. Este panorama vem a se complicar ainda mais quando percebemos que tanto o horizonte político-econômico como o cultural em que se desenvolvem estas técnicas fazem com que recebam marcantes influências ideológicas. Estas irão determinar o tipo de campo (ou espaço) a ser pesquisado, assim como os limites de seu desenvolvimento. 

A maioria dos autores coincide ao assinalar, como pioneiro da Psicoterapia de Grupo, o médico J. Pratts, que realizou seus trabalhos em 1906 com grupos de tuberculosos.  Sua prática teve uma difusão importante e consistia, basicamente, em classes coletivas com mais de 80 pacientes, onde se tentava instalar um regime de cooperação e emulação mútuas para que os pacientes pudessem acelerar sua recuperação física dentro da clínica.  O mérito de Pratts consistiu em utilizar pela primeira vez as emoções coletivas com vistas a uma finalidade terapêutica.  Sua técnica era ativa e aspirava à aparição controlada de sentimentos de emulação, rivalidade e solidariedade no grupo. neste, os "bons pacientes" eram premiados através de um sistema de promoções que os colocava mais perto do terapeuta, pois passavam a se sentar na primeira fila.  A estrutura e função deste tipo de grupo recorda a prática de certos grupos religiosos que visam a fins similares. 

Mas será Moreno aquele que, em 1931, irá cunhar a expressão Psicoterapia de Grupo. desde 1920, Moreno já vinha usando técnicas de grupo, e sua abordagem está centrada na importância, por um lado, das técnicas sociométricas para a investigação social e, por outro, na ênfase sobre a catarse e a dramatização de conflitos psicológicos como fatores terapêuticos principais. 

Em 1936 irão aparecer as primeiras publicações psicanalíticas, quando L.Wender e depois P. Schillder começam a usar as técnicas de origem psicanalítica com Grupos Terapêuticos. Ao mesmo tempo, os desenvolvimentos no campo da Psicologia e da Microssociologia, que têm seu investigador mais destacado em K.Lewin, darão possibilidades para que o trabalho psicoterapêutico com grupos comece a se assentar em bases de experimentação. Estas bases concedem, a partir dos anos 40, um status de cientificidade à Psicoterapia de Grupo. 

Deste momento em diante, a difusão das práticas grupais em Psicoterapia será progressivamente ampliada, notadamente a partir das condições de pós-guerra. A este respeito, assinalam-se frequentemente os determinantes sociais e as condições econômicas e políticas que possibilitam o surgimento e o desenvolvimento das técnicas de grupo no campo da saúde mental. Citemos algumas: necessidade de extensão do atendimento em saúde mental a setores mais amplos da população; aumento da demanda de atendimento; surgimento de programas comunitários ante a necessidade de recuperação rápida da mão-de-obra deteriorada. 

A partir dos anos 60 assistimos a uma nova reformulação no trabalho terapêutico com grupos, influenciada pelo auge das chamadas técnicas de potencial humano. Estas técnicas propiciam uma forma de trabalho não-verbal e deslocam a ênfase do trabalho, antes ligado à liberação da palavra, para a liberação do corpo.  Este movimento, que tem sua origem na Califórnia, vai estender-se por vários países.  Atualmente, práticas como a do Grupo de Encontro de Rogers, a Gestalt-Terapia de Perls e as orientações bioenergéticas influenciam marcadamente todo o desenvolvimento da Psicoterapia de Grupo. 

Outra linha que se desenvolve nesta mesma época, retomando os trabalhos de W.Reich nos primórdios da Psicanálise, procura articular os conhecimentos psicanalíticos sobre o inconsciente dos grupos com uma concepção materialista-histórica da sociedade. A opção por Freud-Marx para o trabalho com grupos tem seu desenvolvimento especialmente na América Latina e França, propondo-se não só a uma prática diferente no campo psicoterápico, como também a um trabalho ideologizante no campo da saúde mental. Além disso, contribui com uma produção teórica significativa dentro da chamada teoria das ideologias. Generalizando, podemos incluir dentro desta linha desde a prática de Grupos Operativos, formulada pela Escola de Psicologia Social de Pichon-Rivière, até as tendências atuais da Análise Institucional e Psicossocioanálise na França. 

Influência do pensamento sociológico

Na realidade, é no desenvolvimento da Sociologia moderna que se observa pela primeira vez o interesse pelo estudo dos pequenos grupos. O fato de que a experiência imediata da vida social se situe sempre em grupos - a família, a turma, os amigos, os colegas de trabalho, o grupo sindical - fomentou a esperança de que o estudo dos mesmos nos permitisse descobrir as leis profundas que regem tanto o indivíduo como a
sociedade. A Psicologia Social chegou assim a ser, para alguns, o paradigma de toda ciência, aquela que viria a contornar todos os problemas que assediavam a sociedade contemporânea. A questão ficava colocada da seguinte forma: assim como o conhecimento das leis que regem o pequeno grupo permite ao psicossociólogo instalar um clima de colaboração na empresa, escola ou grupo experimental de trabalho, por que estes métodos não poderiam ser utilizados para por fim à luta de classes, à guerra, ao racismo etc? O próprio Moreno e mesmo K. Lewin consideraram seus trabalhos coerentes com este tipo de projeto, com base em um otimismo ingênuo que rapidamente se viu absolutamente injustificado. A extrapolação das observações sobre os pequenos grupos à sociedade global acabou fazendo com que os psicossociólogos
funcionassem como agentes de defesa de instituições obsoletas, organizando artifícios para contornar os conflitos e a sublevação daqueles grupos que chegavam a questionar a organização social então vigente.  Assim, um certo "ópio psicológico" veio, mais que a desvelar, a ocultar a verdadeira realidade social. 

Este legado ingênuo e otimista está presente desde a origem do pensamento sociológico, com Charles Fourier. Neste pensador utópico, muitos autores vêem o precursor da atual psicossociologia. Com Fourier começaram as preocupações experimentais em relação ao trabalho com grupos, já no século XIX. Fourier propôs um experimento global, de ampla duração, com a constituição de uma comunidade, denominada
falange, caracterizada pela supressão da repressão. Esta comunidade ideal, composta por um determinado número de pessoas, funcionaria como uma sociedade socialista, na qual nada seria deixado à improvisação, mediante um plano de traçado sistemático e preciso. Fourier tentava, assim, organizar um sistema de harmonia social, fundado na constituição de grupos organizados com base nas "paixões" do homem e em sua psicologia. 

G. Lapassade assinala que a obra de Fourier, apesar de sua aparente ingenuidade, está cheia de antecipações daquilo que apenas um século depois irá propor a Psicologia dos Grupos ou Psicossociologia, como, por exemplo: a criação de grupos artificiais com tarefas comuns, a impossibilidade de separar investigação de aplicação e o fato de que as mudanças pedagógicas, psicológicas e políticas sejam necessariamente solidárias. 

Mas serão dois grandes iniciadores europeus das Ciências Humanas - Durkheim e Freud - aqueles que irão permitir que se assentem as bases para uma Psicossociologia dos grupos restritos. Durkheim, considerado fundador da Escola Sociológica Francesa, interessa-se em grau considerável pelos grupos específicos: família, escola e sindicato. Além de ser o criador da expressão "dinâmica social", Durkheim produzirá uma série de conceitos e teorias, relativos à solidariedade, à anomia e aos símbolos sociais, contribuindo para a compreensão de processos coletivos. 

Alguns anos depois, Freud esclarecerá as relações entre o líder e o grupo, através de sua concepção acerca do ideal do ego e dos enlaces libidinais que regulam a existência de qualquer agrupamento. 

Tanto o modelo sociológico como o psicanalítico prepararam o terreno onde Kurt Lewin, em 1944, irá cunha a expressão "dinâmica de grupo" em um artigo dedicado às relações entre a teoria e a prática da Psicologia Social. A dinâmica de grupo, guiada pela metodologia da "investigação ativa", inspirou a criação de um organismo de estudos, o Research Center of Group Dynamics, que, em 1948, integrou-se ao Instituto de Pesquisa Social da Universidade de Michigan. Não nos estenderemos sobre a corrente lewiniana, já que neste texto lhe dedicamos um capítulo especial. Digamos aqui, apenas, que as duas concepções básicas da dinâmica lewiniana, aceitas hoje pela quase totalidade das correntes são: 

a) a investigação e a intervenção devem estar estreitamente relacionadas; 

b) a mudança e a resistência à mudança constituem os aspectos essenciais da vida dos grupos. 

Pouco tempo depois, na Argentina, Enrique Pichon-Rivière irá tentar uma articulação entre as teorias lewinianas e a Psicanálise. De suas experiências pioneiras em trabalho com grupos na América Latina irá surgir uma importante corrente de Psicologia Social, capaz de produzir uma série de conceitos originais para a prática psicológica e psiquiátrica. Surgirá, assim, a teoria dos grupos operativos, onde, através de uma
epistemologia convergente, serão ensaiadas fecundas articulações entre a Microssociologia e a Psicanálise, com vários conceitos oriundos do materialismo histórico. 

Influência da Psicanálise

O prestígio crescente da corrente psicanalítica dentro do campo das psicoterapias na América Latina fará com que o estudo e o trabalho se voltem para o desenvolvimento da aplicação da Psicanálise aos grupos.  Em 1957, com a publicação de Psicoterapia de Grupo, de Grinberg, Langer e Rodrigué, ficou definitivamente instalada a corrente psicanalítica de grupo na América Latina, a qual continua exercendo uma enorme
influência em todos os desenvolvimentos subsequentes neste campo. 

Faremos aqui uma breve referência ao desenvolvimento histórico da Psicanálise de Grupo, remetendo o leitor ao capítulo correspondente para uma abordagem mais detalhada sobre as contribuições teóricas de cada um dos pioneiros da mesma. 

Em toda a Europa, mas especialmente na Inglaterra, as idéias de Lewin exerceram marcante influência sobre vários psicanalistas que se dispunham a tentar a aplicação do legado freudiano ao trabalho com grupos. A Escola de Tavistock iniciou uma série de investigações e os primeiros trabalhos publicados já estavam assinados por aqueles que são ainda hoje considerados os pioneiros da Psicanálise de Grupo: Ezriel, Foulkes, Anthony, Bion, Slavson. O intenso intercâmbio entre as correntes inglesas e argentina de Psicanálise fará com que o desenvolvimento da Psicanálise de Grupo se veja cada vez mais influenciado pelas idéias de Melanie Klein, segundo a sistematização de Bion. Este autor inglês fará a originalidade dos conceitos kleinianos aplicados a grupos. Sua teoria dos pressupostos básicos e do grupo de trabalho fornece novo impulso à tentativa de fundamentar cientificamente a Psicanálise de Grupo. Nestas mesmas bases, sociedades de Psicanálise de Grupo serão fundadas em vários países. 

Mais recentemente, a partir dos anos 60, surge o que podemos denominar Escola Francesa de Psicoterapia de Grupos que, a partir dos trabalhos de Anzieu, Kaes, Missenard e outros, aprofundará o conceito de inconsciente grupal, propondo uma série de articulações originais entre o kleinismo dominante e alguns conceitos psicanalíticos reformulados pela escola de J. Lacan. As idéias do grupo entendido como um sonho, de inconsciente grupal, de aparelho psíquico grupal e do líder como resistência são algumas das mais fecundas desta orientação. 

Influência das Escolas de Potencial Humano

Conforme já assinalamos, a partir dos anos 60 uma série de novas técnicas começaram a ser introduzidas no trabalho com grupos. Georges Lapassade caracterizou esta etapa como dominada pelo desenvolvimento tecnológico, "levado em seu movimento tanto pela modernização das técnicas como pelo desenvolvimento da automatização e as transformações das indústrias modernas com novas formas de gestão". 

O princípio de não-diretividade será a principal bandeira de toda esta restruturação do campo psicoterapêutico, tendo em Rogers seu principal gestor. O centro das análises, a partir deste momento, estará menos na compreensão da dinâmica grupal do que no questionamento da relação terapêutica: "em resumo, a não diretividade é uma política antes de ser uma psicologia genética, um método terapêutico ou uma nova concepção da Pedagogia". 

A capacidade de impugnação que esta corrente traz às práticas terapêuticas mais tradicionais vai colocar o núcleo de sua prática junto a todo um movimento de contestação psiquiátrica que surge na mesma época.  Porém o exagerado psicologismo, tanto como o apoliticismo da maioria destas correntes (Bioenergética, Gestalt-terapia, Grupos de Encontro etc.) irá reduzir seu trabalho, na atualidade, a uma série de reformulações técnicas no interior do trabalho com grupos. 

Influência da Análise Institucional

Finalmente, em 1962, na França, surge a corrente de Análise Institucional, que procurará abordar o grupo na relação instituinte-instituído, estudando a instituição como lugar de reprodução das contradições sociais. A Análise Institucional vai encontrar na Socioanálise proposta por Lourau ou na Esquizoanálise de Deleuze e Guattari sua dimensão intervencionista, segundo o levantamento de um dispositivo analisador que revele o oculto e o que provoca as crises existentes nos diferentes agrupamentos. Esta corrente assume manifestamente seu conteúdo político, onde a luta de classes e o papel do Estado serão determinantes fundamentais na constituição do sujeito, assim como na elaboração do complexo de Édipo. 

A proposta terapêutica consiste em transformar os grupos sujeitados (aqueles cujas leis vêm do exterior) em grupos-sujeitos, capazes de repensar sua submissão e criar suas próprias leis. A chamada Esquizoanálise, a partir das noções da Psicologia Institucional, afirmará que o ato terapêutico é um ato institucional determinado pelo coletivo e pelos outros. Os grupos de base propostos por esta corrente evitariam as relações hierárquicas e institucionalizadas. F.Guattari propõe uma multiplicidade de grupos que irão substituindo, desde a base, as instituições propostas pelas classes dominantes. Como vemos, o falanstério de Fourier, com concepções às vezes mais científicas ou mais sofisticadas, reaparece a cada novo proposta no campo da Psicologia dos Grupos.

Linhas de trabalhos com grupos - Gregorio Baremblitt

 

LINHAS DE TRABALHOS COM GRUPOS

Gregório Baremblitt


Considerando-se campo da vida social de onde se origina e onde é predominantemente praticada, a dinâmica grupal dispõe de três áreas principais de geração e ação. A saber: a medicina (na qual as técnicas grupais são empregadas com finalidades psicoprofiláticas e psicoterapêuticas), a pedagogia (procedimentos grupais de ensino) e a sociologia (psicossociologia dos pequenos grupos na indústria e no comércio, na comunidade vicinal e étnica etc) 

Tendo em vista suas fontes epistemológicas (extremamente intrincadas), pode-se traçar o seguinte panorama sintético:
 

  •      existe uma base psicanalítica filosoficamente tão diversificada quanto as próprias escolas psicanalíticas: freudiana ortodoxa, adleriana, junguiana, kleiniana, "psicológica do ego" e, ultimamente, lacaniana.
  •      existe uma base fenomenológica-existencial, apoiada em Sartre, Buber, Binswanger, Merleau-Ponty, Scheler etc
  •      existe uma base psicodramática cujo pilar central é, indubitavelmente, Moreno.
  •      existe uma base empirista, pragmatista, que reúne a pedagogia democrática de Dewey com o comportamentalisto social de Mead e todos os outros comportamentismos mais ou menos radicais, o consciencialismo de Stuart Mill, o culturalismo antropológico de Malinowiski e, além destes, o estrutural-funcionalismo de Parsons, Merton, etc.
  •      existe uma base gestaltista, sendo seu representante principal Kurt Lewin.

  • As escolas contemporâneas de dinâmica de grupo são tantas que desafiam qualquer tentativa não somente de sistematização, mas também de enumeração. Unicamente enquanto tentativa de colocar algumas balizas neste panorama, assinalamos: 

    •      uma linha inglesa:Bion, Ezriel, Foulkes, Anthony, Balint. Várias norte-americanas: Schilder, Taylor, Bach, Gibbs, Cartwright e dezenas de outros.
    •      uma linha francesa: Anzieu, Kaes, Lebovici, M.Pagès, R.Pagès, Lapassade, etc.
    •      uma linha argentina: Pichon-Rivière, Grinberg, Langer, Rodrigué, Bleger, Bauleo, Ulloa, Usandivaras, Pavlovsky etc. 

    Como se sabe, as misturas e combinações entre tendências são indescritíveis, a tal ponto que se pode afirmar que não existe tendência alguma que não haja incorporado elementos teóricos ou técnicos das outras.
     

    Posição social e cultural de um indivíduo no mundo socio-cultural - Pitirn A. Sorokin

     

    POSIÇÃO SOCIAL E CULTURAL DE UM INDIVÍDUO NO MUNDO SOCIO-CULTURAL

    Pitirin A. Sorokin


    Para determinar de maneira precisa a posição social de um indivíduo devemos conhecer: 

    1. O grupos a que pertenceu; 

    2. A camada exata que ele ocupou em cada grupo; e 

    3. O lugar de cada grupo dentro da população humana. 

    COMO OS GRUPOS SOCIAIS RECRUTAM SEUS MEMBROS 

    1. A maneira automática 

    a) os filhos legítimos tornam-se automaticamente, membros da família. 

    2. As maneiras não automáticas 

    a) o quadro social da maioria das sociedades, clubes e associações científicas, filantrópicas e artísticas, é recrutado mediante aceitação voluntária por parte de pessoas devidamente qualificadas e que preencham as condições de admissão. 

    b) em outros grupos, especialmente aqueles em que a qualidade do associado importa em certos privilégios, os membros são recrutados mediante indicação de próprio grupo ou pelo seu corpo dirigente. 

    c) muitos grupos elegem os respectivos membros, especialmente para as suas camadas superiores. 

    d) empresas e outros grupos recrutam seus empregados contratando-os e pagando os salários convencionados. 

    e) a admissão nos estratos superiores de numerosos grupos é, muitas vezes, conseguida mediante a compra (sob uma forma franca ou velada) por parte de pessoas dispostas a pagar um alto preço pelos privilégios e honrarias que tal participação lhes confere. 

    f) as Forças Armadas recrutam os seus soldados pela conscrição dos cidadãos que atingiram uma certa idade e que preencham as necessárias condições. 

    g) finalmente, a coerção legítima ou ilegítima fornece membros a muitos grupos desejáveis ou indesejáveis. 

    3. Algumas correlações: 

    a) em geral, os grupos em que a participação traz ventagens e privilégios - de ordem econômica, honorífica etc. - tendem a permanecer fechados para todos, exceto um número limitado e especificado de indivíduos que preencham as suas qualificações. 

    b) os grupos em que a qualidade de membro traz consigo mais ônus e sacrifícios do que privilégios e vantagens, tendem a permanecer abertos para todos que desejem ingressar neles. 

    c) outro tipo de grupo que recebe muito bem os voluntários é representado pelos partidos políticos. 

    d) os grupos em que a participação envolve grandes ônus e sacrifícios, como perdas de direitos civis, desonra ou castigo, em geral empregam o método compulsório de recrutamento. 

    e) os grupos em que a participação traz consigo certas vantagens e desvantagens, usam concomitantemente, vários dos métodos examinados. 

    4) Observações críticas: 

    As generalizações que formulamos rapidamente com respeito à correlação do tipo de recrutamento com as variáveis dos privilégios e ônus sugerem que a modalidade de recrutamento de membros, neste ou naquele grupo, não é algo de incidental, mas sim profundamente enraizado na natureza do grupo em questão.


    18/03/2021

    O pequeno grupo: corda bamba entre sociologia e personalidade - Kurt W. Back

     

    O PEQUENO GRUPO: 

    CORDA BAMBA ENTRE SOCIOLOGIA E PERSONALIDADE

    Kurt W. Back 
    Jornal de Ciência Aplicada do Comportamento, NTL Institute for Applied Behavioral Science, 15(3), 1979

    (Traduzido por Mauro Nogueira de Oliveira)




    DECLÍNIO OU PAUSA PARA REFLEXÃO

    No período imediatamente antes e depois da Segunda Guerra Mundial o estudo de pequenos grupos, de repente, se tornou um tópico importante de pesquisa e teoria. As pessoas sempre viveram em grupos, em famílias ou unidades de trabalho, em tribos e grupos sociais, e os cientistas têm estudado alguns destes grupos por muito tempo. Cedo os sociólogos tinham escrito livros sobre agregações humanas e tinham começado com unidades pequenas. Mas em geral eles se preocuparam com grupos de um tipo, como a família, e tentaram derivar todas as outras agregações humanas deste exemplo. O novo movimento redescobriu grupos pequenos, mas somou algo novo. A natureza de grupos como grupos, independente das suas origens, foi visto como um tópico unificado para estudo. A pergunta foi declarada: O que acontece quando um pequeno grupo de indivíduos permanece junto e que características diferentes estabelecerá? A origem dos grupos que existem na natureza perdeu a importância como tópicos para investigação.  As características necessárias que qualquer pequena assembléia de pessoas estabelecerá se tornaram o centro de interesse. Quer dizer, de repente, notou-se uma unidade estável que vive em algum lugar entre o indivíduo e a sociedade. 

    Está nesta sensação o pequeno grupo ter sido descoberto como um objeto merecedor de estudo.  Foi visto como um complemento importante à compreensão do comportamento individual, especialmente do ponto de vista do psicólogo social. Da mesma maneira foi visto como  um mecanismo pelo qual as instituições da sociedade realmente trabalham. Assim muitas pessoas acreditaram que um programa intensivo de estudo e pesquisa com pequenos grupos proveria a chave para a compreensão das relações entre o indivíduo e a sociedade, o elo entre a sociologia e a psicologia. Caracteristicamente, neste momento foram cunhadas condições novas para descrever este campo como ciências do comportamento ou sociometria (como Moreno classificou). 

    O entusiasmo inicial diminuiu. O trabalho em pequenos grupos como tal, relacionando suas propriedades e propondo teorias sobre eles, está parado hoje. Com algumas exceções ( Wilson, 1978; Nixon, 1979; ou como um leitor, Ofshe, 1973), livros de ensino e monografias sobre grupos não discutem a sua natureza ou pesquisa atual , mas técnicas em como os usar para produzir certos efeitos. O significado de dinâmica de grupo mudou de uma ciência para uma profissão. Quem pensar que movimento de grupo é igual a estudo de grupos...negligencia, por exemplo, o estudo de grupos como eles acontecem na natureza e todos os outros aspectos que não estão à mão pertinente à tarefa específica. Também precisa do suporte de um estabelecido e ampliado corpo de conhecimento para cumprir sua função formal. 

    O estudo de grupos não está morto, mas somente dormindo talvez. Como a atividade de grupo foi mostrada que progride em fases (Fardos & Strodtbeck, 1951), de uma fase de construções de pesquisa para outra até um clímax na exploração de idéias atuais é alcançada, e então tende a se arrastar e esperar por um ímpeto novo. Podemos voltar agora mesmo para uma tal fase. Seria muito fácil e confortável, porém, fixar toda a culpa e espera na teoria de um movimento cíclico. O declínio em pesquisa de pequeno grupo simplesmente não é um evento natural, nem é uma ressurreição de progresso futuro automaticamente garantido. 

    Um baixo período de atividade, é em todo caso, um tempo bom para parar, para olhar os problemas especiais de sucesso e fracasso em pesquisa de grupo e por identificar as características distintivas do nosso tópico. Esta distinção, aparece agora, é sua posição ambígua entre o estudo de duas entidades bem-definidas, o indivíduo e a sociedade. Esta ambigüidade é simbolizada pelo fato que nós não temos um
    termo reconhecido para o estudo deste campo intermediário, como a psicologia e a sociologia, para estas duas entidades. É psicologia social? Ou dinâmica de grupo? Podemos localizar esta ambigüidade como um conflito em aspectos diferentes - conceitual, metodológico ou temático - do trabalho em pequenos grupos e avaliar suas conseqüências como conflito criativo e destrutivo. 

    CONCEITOS

    Uma grande promessa do estudo de grupos mente em sua habilidade para atravessar o buraco entre o indivíduo e níveis do grupo. De um lado, podemos aplicar postulados da psicologia individual para as funções de grupos. Como o cérebro no corpo humano, a posição do líder se torna a posição central diretiva da unidade, e há também aspectos emocionais, como também aspectos de motricidade em um grupo - assim, a
    metáfora teórica de um organismo pode ser aplicada a um grupo. Isto é mais que mera licença poética; o grupo pode ser visto crescer e desenvolver, pode alcançar maturidade e pode morrer e assim o desenvolvimento planejado de grupos pode começar deste modelo. Por outro lado, grupos e sua interação podem conduzir à compreensão de organizações maiores e instituições sociais. 

    Porém, as dificuldades conceituais derivadas justamente desta posição intermediária são consideráveis.  De um lado estamos olhando as condições emergentes dos indivíduos, de outro a uma característica de sociedades grandes. Quão autônomo são os problemas de grupo? Temos que levar em conta as características individuais dos membros como também as condições sociais debaixo das quais estão as funções do grupo? 

    Perguntas deste tipo conduziram, em primeiro lugar, para uma consideração do problema se os grupos são ou não são reais. Esta dúvida sobre a realidade do assunto não surge tão facilmente para o psicólogo individual ou para o sociólogo. As pessoas e a sociedade são reais, pelo menos se não empurramos nossas investigações muito longe. Mas grupos como tal, e características que só pertencem a grupos, é duro
    justificar. A controvérsia em cima da realidade dos grupos persistiu, e desde o princípio, foram questionados conceitos relacionados a grupos (Allport, 1924; Cattell, Saunders & Stice, 1953; Horowitz & Perlmutter, 1953; Warriner, 1956; Campbell, 1958). Teóricos tiveram dificuldades de se restringir puramente a aspectos do grupo sem considerar características individuais e condições sociais.  Mas se admitimos estes conceitos
    estranhos, que somos forçados a lidar simultaneamente com três jogos de variáveis, derivadas do indivíduo, do grupo e da sociedade, a vantagem do estudo de grupos, de simplificar a relação entre o indivíduo e sociedade, está com ímpeto perdido. 

    Somos conduzidos aqui a formas diferentes da ambigüidade: Grupos são reais, mas eles também são abstrações. Podemos definir a existência de grupos, de unidades interpessoais, a sua natureza e as suas características. Podemos falar sobre grupos, limites de grupo, coesão, papéis e funções, sem ter que levar em conta os indivíduos que constituem os grupos ou a sociedade nas quais eles estão embutidos.  Nesta sensação eles têm a sua própria realidade. Considerando grupos, porém, sentimos que omitimos assuntos importantes se desconsideramos completamente qualquer coisa que concerne a indivíduos ou sociedade.  Estudar grupos pode ser uma ferramenta poderosa na compreensão do comportamento humano, da mesma maneira que confiança exclusiva em grupos é uma ferramenta forte de controle; para alguns propósitos nós
    damos boas-vindas às abstrações, enquanto às vezes estamos insatisfeitos com isto. Da mesma maneira, às vezes, damos boas-vindas ao uso de grupos como uma ferramenta para administração da sociedade, mas às vezes o seu uso fica irreal ou perigoso. 

    Representações esquemáticas de indivíduos em um espaço social, como foi demonstrado por Lewin, sempre teve que se degladiar com as personalidades desses indivíduos, as suas interações como também as forças que agem dentro deles, i.e., as partes diferentes da pessoa. Estes tipos de esquemas freqüentemente ficaram muito difíceis para representar e entender. A condição de grupo poderia ser olhada como um
    emergente de condições individuais, i.e., algo surgindo de componentes individuais. Assim, características de personalidade complementares, como domínio em uma pessoa e submissão em outra, poderia conduzir então a uma relação forte. Domínio em duas pessoas poderiam conduzir a competição. Se nós começamos analisando a interação entre os indivíduos e as condições das relações formadas dentro do grupo, somos
    forçados a olhar os indivíduos e o comportamento do grupo ao mesmo tempo, e fazendo assim deixamos para trás o grupo, gradualmente. 

    Por outro lado, se começamos de uma unidade maior, a sociedade total, nem o indivíduo nem comportamento de grupo é visível. Se lidamos com certas condições que caracterizam sociedade, como a estrutura demográfica, e tentamos caracterizar interação desta perspectiva, já não se pode falar sobre características individuais, mas só sobre características que pertencem a uma classe de pessoas, como raça, sexo,
    sociedade de classe, ou identificação étnica. Neste caso podemos dispensar a diferenciação entre indivíduos, mas perdemos o grupo. 

    PESQUISA

    Problemas correspondentes acontecem se traduzimos aquele pensamento em pesquisa atual.  Então desejamos estudar características que se assegurariam verdadeiras para todos os grupos. O investigador quer por em prática o conceito de dimensões do grupo, independente da natureza dos indivíduos que o compõem e das condições sociais debaixo das quais acontece. Aqui temos que isolar o grupo, em vez de
    pensar em teoria de grupo, fisicamente. Esta linha de pontos de razoamento nos coloca em uma situação na qual o grupo está fisicamente separado do resto do mundo social, no tempo como também no espaço, e onde as condições devido à existência do grupo são tão proeminentes que são subjugadas as diferenças individuais (Back, Capuz & Brehm, 1964).  Estas exigências descrevem a experiência psicológica social clássica: a situação é feita irreal, separada, pondo isto em um laboratório. Os membros não sabem um do outro e não esperam ver um ao outro novamente, exclui até onde estas relações são parte das condições experimentais; o experimentador qualificado usa condições extremas - não o alcance de intermédio inteiro da variável - de forma que diferenças individuais são anuladas.  Estes grupos experimentais não se parecem com os grupos que vemos na natureza, mas presente nas variáveis certas para os investigadores.  Este
    conhecimento parcial de como se agrupam em natureza do trabalho é difícil obter e pode conduzir a fins mortos se continuar sem cheques de realidade. 

    Assim, estudar grupos pode parecer uma tarefa impossível.  A grande vantagem de estudar grupos quando anunciaram o seu advento e elevaram tantas esperanças pelo seu estudo, era justamente que eles proveriam o canal entre as influências da sociedade e a ação individual. Mas olhando a própria situação de grupo mais de perto, achamos que introduzimos novas complicações. E em muitos casos, os modos tradicionais de estudar grupos alcançaram um impasse por esta mesma razão. Frustrações deste tipo conduzem o investigador e o teórico a uma ou a outras simplificações óbvias.  Deixar as condições sociais e só lidar com os aspectos das pessoas envolvidas.  Isto ainda pode ser feito em uma armação social, a não ser que as outras pessoas no grupo não sejam consideradas como indivíduos mas como condições de incentivo. Por exemplo, isto é o neo-behaviorismo feito famoso por Skinner e Homans (Homans, 1961), mas também mostrado por Thibaut e Kelley (1959).  Aqui revertemos a este estudo de indivíduos em um ambiente social que é exatamente o que psicologia social estava buscando nos anos trinta (Murphy, Murphy & Newcomb, 1931).  Outro modo que um investigador pode agir é eliminar as personalidades individuais; i.e., ele se torna um sociólogo que só fala sobre indivíduos como partes de categorias sociais. 

    O pesquisador de grupos está então na posição de um equilibrista na corda bamba e tenta deter em equilíbrio a variedade infinita de personalidades humanas como também as complexidades de condições sociais. É mais difícil ficar na corda bamba e é fácil e potencialmente produtivo saltar fora para um lado ou para o outro - individual ou social - e investigar só fixado em condições. Talvez tenhamos que por nossa confiança na natureza cumulativa de ciência. Há períodos, os ciclos mencionados acima, quando algumas pessoas estão dispostas a ficar durante algum tempo na corda bamba - e talvez o seu trabalho e pensamento seja produtivo enquanto lá - mas têm que deixar eventualmente este difícil exercício. 

    Até mesmo num arrazoamento puramente abstrato, é difícil conceber que um grupo só existe como um objeto em si mesmo.  A grande onda de interesse no estudo de grupos não veio de qualquer avanço conceitual mas das demonstrações de certas técnicas pelas quais poderiam ser estudados grupos. Poderiam ser postas as pessoas juntas em situações de grupo e em condições que poderiam ser usadas novamente, que teve um elemento teórico ou um análogo na sociedade atual, mas justamente esta facilidade de demonstração gerou questionamentos sobre estes grupos experimentais no sentido de qual a justificativa em fazer perguntas que poderiam ser respondidas com sim ou não. 

    Pelo contrário, metodologistas reivindicaram que o valor principal da experimentação de grupo mente justamente no fato que o experimentador executa como gerente e mostra como podem ser administradas as pessoas em interações diferentes, atitudes iniciais e ações. 

    Olhando as experiências de grupo como dramas organizados podemos ver as suas forças e fraquezas como uma ferramenta de pesquisa (Denzin, 1970).  O experimentador age como um diretor do jogo que não conta para os atores o enredo atual. Ele ou ela só fixam até certo ponto a cena que assegurará que a ação desejada acontecerá. Esta perspectiva em pequenos grupos corresponde melhor ao isolamento do grupo como uma entidade em si mesmo. A área, o próprio drama, é dominante; os atores têm que se conformar ao enredo, embora possa haver variações na maneira na qual eles executam. Podemos aprender mais sobre as ações dos grupos, das dificuldades e ajustes necessários organizando uma cena do que uma medida de resultados em um procedimento experimental rotineiro. 

    Porém, psicólogos sociais não estão muito contentes em escrever enredos; eles preferem seguir modelos de pesquisa da ciência natural. Eles não querem demonstrar aquelas ações humanas que poderiam acontecer, mas estabelecer condições gerais debaixo das quais elas acontecem com freqüência predeterminada.  Procurando cada vez mais precisão na explicação de eventos atuais, o psicólogo social somará por conseguinte cada vez mais variáveis para a pesquisa. Estes incluem características de personalidade como também as características sociais e as condições debaixo das quais a experiência acontece. Aqui o anfitrião de problemas práticos soma-se ao que acontece na experiência. Aqui o anfitrião de problemas práticos soma-se ao que faz a experimentação de grupo, e até mesmo o estudo de grupos existentes, tão difícil. 

    Assumimos que o investigador de pequeno grupo está só preocupado com as relações de dimensões de grupo, como coesão, produtividade, distribuição de poder, conformidade, moral, diferenciação de papel, ou processo de grupo. As declarações que fizeram em pura pesquisa de grupo deveriam relacionar então estes grupos com variáveis de um para o outro, por exemplo, conformidade é uma função de coesão de grupo. Esta declaração deveria ser em geral condição válida para todos os grupos de qualquer composição, em qualquer circunstância. Correspondentemente, pode não nos contar muito sobre o processo de conformidade em qualquer grupo particular; o tamanho da relação pode ser determinado por uma riqueza de condições.  De fato, algumas destas condições podem ser mais importantes determinando conformidade em algumas circunstâncias do que coesão.  Aqui, podemos pensar em personalidades submissas ou uma sociedade autoritária.  Assim o investigador é tentado para incluir variáveis cada vez mais na sua pesquisa: por exemplo, características de personalidade de cada membro do grupo, história prévia da sociedade, o ambiente físico ou social do grupo. Uma vez que estas condições novas são somadas, o equilíbrio da pesquisa troca, as razões para administrar experiências de grupo variam, e os obstáculos técnicos para administrar estudos de grupo ficam maiores.  Assim abandonamos grupos como objetos atuais pois realmente estamos em solo precário. 

    Experienciar grupos é uma questão difícil. Se nós estamos puramente interessados em condições induzidas no grupo, características individuais ficam irrelevantes e o proverbial estudante do segundo ano de faculdade que foi usado em tantas experiências é tão bom quanto qualquer outra pessoa que seja um membro do grupo de estudo. Se começamos a nos preocupar com características individuais nós temos que nos preocupar sobre efeitos da composição. Em geral, experimentadores fazem um pequeno compromisso e selecionam os seus grupos por algumas suposições implícitas definindo a gama de assuntos, por exemplo, restringindo grupos para o mesmo sexo, mesmos membros étnicos, ou para alguma outra mistura predeterminada.  Mas por que pára aqui? Assim que nós aceitemos características individuais como variáveis importantes, todo grupo é uma mistura sem igual. 

    Enquanto é relativamente fácil criar condições experimentais para um grupo, não é tão fácil de controlar personalidades e interação entre os membros, e aqui o processo de grupo inteiro pode deixar de ser o enfoque de interesse. É difícil de controlar o ambiente social de uma pessoa se o ambiente social consiste de outras pessoas. Experiências freqüentemente tiveram um ou mais dos participantes excluídos pois estavam
    em controle direto da experiência e que introduziriam condições constantes na situação de grupo.  Gradualmente foi percebido que o controle poderia ser aumentado. Haveria só um assunto e todo o resto seria dos participantes. O ambiente social poderia ser garantido então. Esta técnica conduz, com efeito, a experiências em indivíduos. O enfoque está de cada vez em um indivíduo, a sua personalidade e a percepção
    da situação. O equilíbrio inclinou para pura pesquisa do indivíduo. Se concentrando em condições individuais, as variáveis de grupo não parecem ser particularmente importantes e o grupo está gradualmente perdido como um objeto de pesquisa. 

    Um transtorno semelhante acontece se a pessoa começa levando em conta as condições sociais. Membros de grupo podem ser influenciados pelas suas lealdades fora dos grupos de referência, identidade étnica ou classes sociais, e o seu comportamento em grupos pode ser influenciado através de amplas mudanças sociais.  As pessoas aprendem a se comportar em grupos e são influenciadas por padrões atuais de
    comportamento. Se tentamos incluir estas condições culturais e sociais em nossa taxa de comportamento de grupo, ficamos mais realistas novamente sobre os eventos atuais em grupos; mas também encontramos que estas condições maiores são mais influentes com respeito a eventos particulares que as variáveis de grupo gerais e o equilíbrio se inclina para um estudo sociológico de grupos. 

    IMAGEM DO GRUPO

    As vicissitudes intelectuais e técnicas só não respondem pelas fortunas variáveis da pesquisa de pequeno grupo. Podemos olhar este empreendimento científico como uma estrutura tridimensional, como Gerald Holton (1973) sugeriu. Uma dimensão pode ser representada através do pensamento racional (a dimensão conceitual), o segundo por fatos empíricos (a dimensão de pesquisa).  Porém, estas duas dimensões não respondem pela direção atual do desenvolvimento científico. Uma terceira dimensão que representa condições culturais (Holton os chama imagens ou themata), conta para a direção básica do todo da ciência em uma época particular. Agora podemos olhar as imagens e colocações sociais nas quais a pesquisa de grupo aconteceu. 

    A sociedade americana tem uma tradição longa de dependência em pequenos grupos de comunidade-orientados. Isto pode derivar em parte da realidade das condições sociais em comunidades pequenas de fronteira como também de uma fratura consciente com uma continuidade política mais longa, representada pela Revolução Americana. Foram associados grupos com a idéia de espontaneidade, de escolha voluntária, de proteções contra a solidão de um continente novo e imenso ou contra a interferência da autoridade tradicional. Entre os primeiros observadores de nossa cena americana, Tocqueville (1945, originalmente 1835, 1840) notou a nula importância que grupos voluntários tinham assumido no sistema americano (Ebert & Witton, 1970). 

    A importância de grupos em sociedade faz com que seja provável que em um tempo de crise as pessoas olhariam para os grupos para certeza e talvez soluções. Assim, nos anos trinta o desarranjo aparente das pressuposições econômicas de prosperidade, como também a ameaça para as instituições políticas representada pela subida do Fascismo e Comunismo, conduziu a uma confiança mais forte em grupos como também uma necessidade para entender o seu funcionamento. A reconstrução econômica poderia ser feita através de grupos de auto-ajuda, e um modo de resistência para política extremista poderia ser visto pela criação e entendimento de grupos benevolentes.  Mas, por outro lado, as ações extremas na Alemanha, Itália e Rússia também poderiam ser vistas como ação de grupo extrema. Assim, um caráter ameaçador de grupos
    foi identificado de repente. Esta ambivalência criou uma imagem nova, mas primeiro a força da convicção em grupos alcançou sua maior altura (Back, 1973). 

    Sartre (1960) notou que o caráter da psicologia social americana está colorido pelo fato que a maioria de seus fundadores - Mayo, Lewin, Sherif e Moreno - eram imigrantes que provavelmente queriam cortar a perspectiva de tempo do passado e fazer as suas opiniões e ações principalmente dependentes das afiliações atuais. Conduzido por uma pesquisa sócio-psicológica, planejando um futuro melhor depois da
    Segunda Guerra Mundial confiou em achar grupos apropriados para a reconstrução do pós-guerra em canais produtivos. Semelhantemente, o desempenho do exército americano na Segunda Guerra Mundial foi explicado em grande parte pelas lealdades do grupo para o pelotão e tripulação do ar, não para convicções transcendentes, como mostrado nos volumes publicados pelo Serviço de Educação e Informação do Exército (Stouffer, Suchman, DeVinney, Star & William, 1949). Conflito de grupo seria eliminado por satisfatório grupo inter-racial e inter-religioso, conflito operário pelo movimento de relações humanas, conflito político através de grupos de comunidade. Mas o comportamento irracional e cruel induzido através dos grupos também foi investigado. As experiências de Sherif (1936) e Asch (1951) como também Lewin, Lippitt e estudos de White (1939), podem ser vistas neste contexto. Todo este jogo de estudos sobre diferenças individuais como também qualquer tradição maior além do grupo. Em condições sociais isto significa que nenhuma pessoa ou sistema social é realmente bom ou mal. Não temos que nos preocupar sobre qualquer característica de personalidade mudando ou melhorando o mundo, nem temos que nos preocupar sobre ideologias, religiões ou identidades nacionais produzindo qualquer desejo de mudança. Como em uma experiência, pode ser estabelecida uma armação nova de referência ou convicções novas à vontade: grupos podem fazer as pessoas acreditarem e concordarem com tudo. 

    A imagem do grupo como uma ferramenta útil está retrocedendo. É visto o poder do grupo menos como uma cobertura protetora ou filtrada atrás da qual podemos viver em uma liberdade nova, que como um ogro voraz.  Esta tendência mostra para si mesmo em pesquisa. O estudo de Milgram (1974) mostrou que uma relação temporária entre o líder de uma experiência e um participante pode justificar tortura e quase assassinato.  O experimento de Zimbardo com grupos de guardas de prisão e prisioneiros o assustaram tanto que ele interrompeu a experiência no meio (1973). 

    Pode não ser coincidente que exemplos mais sérios apareceram.  O movimento de grupo tinha se esparramado - em grupos de encontro, grupo-terapia e seitas - até que assomou como uma nova força social.  Advertências contra a irresponsabilidade de alguns destes grupos soaram reacionárias e opressivas.  De repente uma seita ou comunidade que tinham executado todos os milagres anunciados de ação de grupo na Califórnia - ampliando potencial humano, dando significado em vida a suburbanos, reabilitando os condenados e viciados, que mostra a dignidade da vida simples transcende a família nuclear e trabalha para causas liberais - explodiu em uma realidade feia na Guiana. Outros grupos que tinham sido vistos como panacéias, como Synanon, pareciam menos atraentes de repente. A imagem do grupo radicalmente está
    mudando.  Grupos de potenciais humanos vão sendo vistos com suspeita através da sociedade e estão sujeitos a controle social. 

    CONCLUSÃO

    Pensar em grupos é difícil.  Também é difícil de fazer experiências em grupos como grupos. A razão principal por que as pessoas tentaram esta tarefa difícil é a convicção que aqui eles realmente têm o núcleo de todo o conhecimento para a estabilidade e mudança social. A mudança da importância de estudar grupos tem algo então que ver com a mudança da convicção na sua importância.  Como muitas outras suposições esperançadas do imediato pré e pós período de guerra, esta suposição foi desafiada. Grupos são mais ou menos efetivos que nós gostaríamos que eles fossem. Diferenças individuais mostraram não ser suscetíveis à manipulação do grupo. Para dar um exemplo, a mistura racial certa em salas de aula não foi achada para ser a panacéia para melhoria em educação, e o grupo de iguais necessariamente não é a base de resultados
    educacionais.  De um modo semelhante, condições sociais maiores mostraram que um importante movimento de grupo poderia ser esperado. A Guerra do Vietnã mostrou que solidariedades dentro das companhias militares não são suficientes para ganhar uma guerra se um compromisso ideológico aos objetivos da guerra está ausente ou até mesmo oposto.  Também é questionável se os guerrilheiros têm êxito porque eles são
    pequenos grupos aderentes ou porque eles são fortemente doutrinados. Assim, parece que os pesquisadores já não podem ser levados sobre caniços no desígnio de suas pesquisas e teorias pela convicção que eles estão lidando com os problemas cruciais de sociedade. 

    Se as altas esperanças dos investigadores de grupo cedo fracassaram, se grupos não podem prover a compreensão do comportamento social nem a chave para uma utopia nova, o trabalho em pequenos grupos tem algum futuro? Talvez deveríamos resumir por que estudamos pequenos grupos. Uma das razões é que podemos ter um modelo pequeno de interação social que é aplicável à sociedade inteira e para o todo da vida humana.  Aqui vemos os obstáculos para a aplicação do conhecimento adquirido do estudo de grupo, como também as dificuldades de generalizar as experiências de pequenos grupos. Ou podemos olhar grupos pequenos como uma ferramenta útil por afetar o indivíduo e mudança social. Reconhecemos que é uma ferramenta mas também reconhecemos que usar uma ferramenta sem saber por que pode ser inútil ou até mesmo destrutivo. Finalmente, podemos estudar grupos pequenos porque eles existem em muitas formas em sociedade - na família, comunidade, trabalho, ou outros grupos. 

    O estudo sério de grupos é difícil e pode não conduzir à salvação imediata. O investigador de grupo pode regressar agora para a difícil e freqüentemente não gratificante tarefa necessária para achar os métodos e teorias peculiares para grupos. Sabemos que há forças poderosas a serem descobertas na área nebulosa entre ações individuais, por um lado, e a cultura e sociedade complexas no outro.