02/01/2018

A Epistemologia de Maturana

Epistemologia de Maturana
Licenciatura Plena em Química (Universidade de Cruz Alta, 2004)
Mestrado em Química Inorgânica (Universidade Federal de Santa Maria, 2007)
O termo epistemologia se refere ao estudo sobre a produção do conhecimento. Quando se menciona, no entanto, a epistemologia das ciências, se está abordando os pensadores que se preocuparam em investigar como se constrói um conhecimento de natureza científica. Dentre eles, Humberto Maturana merece destaque.
Maturana é biólogo, nascido em 1928 em Santiago, no Chile. Iniciou seus estudos acadêmicos na medicina, mas acabou seguindo carreira na biologia. Obteve Ph.D em biologia na Universidade de Harvard, e trabalhou em neurofisiologia no M.I.T. Atualmente é professor do Departamento de Biologia na Universidade do Chile. Sua obra de maior destaque chama-se Cognição, Ciência e Vida Cotidiana. Seu principal conceito é o da autopoiese.
Buscar-se-á propor um breve resumo sobre os principais conceitos em Maturana, não em sentido de resumo de toda sua obra ou resenha, mas em caráter pessoal de quem escreve, através dos itens abaixo:
  • Maturana é um epistemólogo diferenciado dos demais, pois é biólogo, ao contrário dos outros, que são físicos.
  • De acordo com ele, deve-se levar em conta sempre o observador, pois jamais há isenção entre observador e observado.
  • Assim, o explicar sempre depende do observador.
  • Sem linguagem o homem não existe. Vivemos todos na linguagem, a qual se fundamenta nas emoções, e estas são a base do fazer científico.
  • Maturana explica o conhecer a partir do conhecedor.
  • Não há sentido nem possibilidade de se conhecer sem se levar em conta o conhecedor.
  • Toda sua abordagem em ciências é de cunho biológico, e não físico.
  • Seu principal conceito é do da autopoiese, ou seja, um sistema que se auto regula. Esse conceito também ficara conhecido como a biologia do conhecer.
  • O conhecimento é uma perturbação de nosso sistema cognitivo, pois podemos fazer as nossas mudanças nas estruturas, mas não nas organizações estruturais, ou seja, em suas identidades.
  • A explicação sempre gera uma interpretação de nossa própria experiência.
  • Para Maturana, uma explicação torna-se válida apenas pela existência de alguém que a aceite como tal, sem nenhuma necessidade de outro embasamento.
  • Todo ser vivo tem características de organização, onde a perda da organização é a morte.
  • Essa organização, entretanto, não é estática, mas sempre existe uma organização cognitiva.
  • Não é o exterior quem determina a experiência, o sistema sempre funciona a partir de correlações interiores.
  • Conforme fora mencionado, sua noção de verdade reside apenas na aceitação desta por alguém, sem nenhuma necessidade de qualquer embasamento empírico.
  • O homem possui existência na linguagem, na comunicação. Assim, o homem não pode ser visto como um ente isolado.
  • Muitas vezes não é possível distinguir-se entre a observação e a ilusão, de modo que, de acordo com a sua visão, a ciência não pode ser objetiva.
  • O explicar algo é sempre uma reformulação do que “eu” já tive, até porque utiliza a “minha” própria linguagem. Não há possibilidade de existência de um conhecimento sem influência de quem o descreve.
  • tolerância apenas considera uma posição; a aceitação compreende-a sob a ótica do outro.
  • A linguagem não existe na transmissão de informações entre o transmissor e o receptador, mas em uma modelagem entre eles.
  • A diferença do conhecimento científico é que o cientista que o produz deve ser cuidadoso para não permitir que as emoções intervenham no critério da validação das informações.
  • A ciência possui critérios de validação para a explicação, mas essa explicação jamais é única.
  • A ciência é uma atividade humana, conectada ao conhecimento. Ou seja, uma das formas que temos de produzir conhecimento chama-se coência.
  • Entretanto, esses critérios de validação não exigem que o observador seja independente daquilo que observa.
  • Somos nós que decidimos o que mudar em nosso sistema cognitivo no processo do conhecer, modificando a sua estrutura, mas jamais modificando a sua organização interna, que lhe dá suporte e caracteriza o ser vivo.
  • Nós estamos tentando perturbar os “sujeitos”, mas serão eles que decidirão o que fazer com essas perturbações.
Referências:
MOREIRA, Marco Antônio; MASSONI, Neusa Teresinha; Epistemologias do Século XX, EPU, São Paulo, 2011.

Videos com palestras, dialogos e entrevistas de Humberto Maturana



https://www.youtube.com/watch?v=bhkrB8WntNA

28/12/2017

A biologia do amor de Humberto Maturana

A biologia do amor de Humberto Maturana

Ele é um cientista diferente dos demais: consegue ver o ser humano pelas lentes do amor,

pela biologia do sentimento

http://www.revistaecologico.com.br/materia.php?id=105&secao=1846&mat=2128
Maturana: “É no amor que alcançamos o bem-estar e realizamos nossa condição humana” - Imagem: Rodrigo Fernandez/Wikimedia
Maturana: “É no amor que alcançamos o bem-estar e realizamos nossa condição humana” - Imagem: Rodrigo Fernandez/Wikimedia
Seria o neurobiólogo chileno Humberto Maturana, 88 anos, um ser mais evoluído, que veio de outro
planeta para renascer na Terra? Quem conhece algumas de suas obras mais famosas, como
“A Biologia do Amor”e “Á Árvore do Conhecimento”, sabe que há uma razão para fazermos essa
pergunta.
Maturana é um cientista diferente dos demais: consegue ver o ser humano pelas lentes do amor, pela
biologia do sentimento, enxergando-o em um sistema global de múltiplas interações. Há quem diga que
isso é impossível. Mas existe alguma barreira que o amor ou a influência da natureza em nossas vidas
não atravesse?
Nascido na capital, Santiago, Maturana é adepto do pensamento sistêmico, que defende uma visão
interdisciplinar, integrada e interdependente da realidade: o ser vivo, os objetos e o ambiente estão
em constante relação e devem ser estudados como um todo. Nessa abordagem, ciência, subjetividade,
espírito e, claro, o amor, caminham juntos.
Na orelha do livro “A Árvore do Conhecimento”, que escreveu junto com o também chileno Francisco
Varela, PhD em Biologia, há uma descrição que melhor representa a tese defendida por Maturana:
“Vivemos no mundo e por isso fazemos parte dele; vivemos com os outros seres vivos, e portanto,
compartilhamos com eles o processo vital. Construímos o mundo em que vivemos ao longo de nossas
vidas. Por sua vez, ele também nos constrói no decorrer dessa viagem comum. Assim, se vivemos e nos
comportamos de um modo que torna insatisfatória a nossa qualidade de vida, a responsabilidade cabe a
nós”.
E completa: “Nossa trajetória de vida nos faz construir nosso conhecimento do mundo – mas este também
constrói seu próprio conhecimento a nosso respeito. Mesmo que de imediato não percebamos, somos
sempre influenciados e modificados pelo que experienciamos”. Ou seja: um ser só sobrevive em um
entorno que o receba.
Para o neurobiólogo, o amor tem papel fundamental nisso, porque faz o homem evoluir.  “O que guia o
fluxo do viver individual são as emoções e na constituição evolutiva também. É o emocionar que se
conserva de uma geração a outra”, disse. Crítico da propaganda e do consumo insustentável, que,
segundo ele, são um “estímulo à cobiça”, Maturana destaca que o amor está sempre associado à
sobrevivência.
“Numa de suas parábolas, Jesus fala do camponês lançando sementes ao solo. Algumas caem nas
pedras e são comidas pelas aves, outras caem num solo árido e resistem por pouco tempo. Mas há
aquelas que encontram boa terra e crescem vigorosas. Assim também nós precisamos de um solo
acolhedor para nos desenvolver. Nosso solo acolhedor é o amor.”
É o que você, caro leitor, confere nesta seleção de frases e pensamentos que a Ecológico apresenta a
seguir:

Biologia do amar

“A biologia do amar é o fundamento biológico do mover-se de um ser vivo, no prazer de estar onde está
na confiança de que é acolhido, seja pelas circunstâncias, seja por outros seres vivos. No caso dos seres
humanos, isto é central na relação do bebê com sua mãe, com seu pai, com seu entorno familiar, que o
vai permitir crescer como uma criança que vai ser um adulto que se respeita por si mesmo.”
“Se você observa a história de crianças que se transformam em seres, chamemos assim, antissociais,
vamos descobrir que sempre tem uma história da negação do amar, de ter sido criado na profunda
violação de sua identidade, na falta de respeito, na negação de seu ser.”

Emoções

“As emoções são centrais na evolução de todos os seres vivos, porque definem o curso de seus fazeres:
onde estão, para onde vão, onde buscam alimentos, onde se reproduzem, onde criam seus filhotes, onde
depositam seus ovos, etc. Bem, com os seres humanos ocorre exatamente a mesma coisa. O emocionar,
o fluxo das emoções, vai definindo o lugar em que vão acontecer as coisas que fazem no conviver.”
“Se uma pessoa se move, por exemplo, a partir da frustração, isso vai definir continuamente o espaço
relacional na qual se encontra e o curso que vai ter seu viver. Se vive a partir da confiança, vai seguir um
curso distinto. Assim, portanto, o que guia o fluxo do viver individual são as emoções, e na constituição
evolutiva também. É o emocionar que se conserva de uma geração a outra na aprendizagem das
crianças.”             
                  

Cobiça

“Toda a visão do comércio que se associa ao estímulo da cobiça é destruidora da democracia. Quando
Jesus disse ‘não se pode servir a dois senhores ao mesmo tempo, não se pode servir ao dinheiro e ao
amor’, aponta certamente isso. Mostra que servir ao dinheiro tem a ver com a cobiça. Por isso, o jovem
rico para entrar no Reino de Deus tem que desfazer-se de suas riquezas, abandonar seus apegos,
porque o Reino de Deus é, de fato, amar. É a democracia.”

Propaganda

“Toda a propaganda para transformar as crianças em consumidores é um estímulo para a cobiça.
Provavelmente estas crianças serão adultos que vão cobiçar, porque cresceram na busca da satisfação de
qualquer coisa que querem, sem ter consciência do que isto significa no espaço social, no espaço de
convivência, por exemplo, de seus pais, que não necessariamente podem comprar tudo o que os filhos
querem.”

Competição

“A criança, ao jogar, aprende um modo de viver cuja atenção não está nas consequências, mas na
responsabilidade do que faz. Claro que vão ter consequências, mas elas não são o ponto central, e
sim aquilo que a criança está fazendo ao jogar. Se alguém aprende isso pode colaborar, pode estudar,
pode fazer qualquer coisa com satisfação e com prazer.”
“A competição não é nem pode ser sadia, porque se constitui na negação do outro.”

Crianças

“Não traiam as crianças! Não prometa acolhê-las quando os vai desconsiderá-las. Não prometa que vai
levá-las para brincar quando vai ordená-las que se sentem e fiquem quietas. Porque o que um professor
faz, às vezes, sem se dar conta, é trair as crianças em função do que ele quer que elas façam. Por um
lado as acolhe, mas na realidade as distingue. As crianças sabem exatamente quando alguém promete
algo e não cumpre, e vivem isso como uma traição. Isso gera dor e produz sentimentos, por que é uma
negação de nossa condição amorosa.”

Convicções

“Tendemos a viver num mundo de certezas, de solidez perceptiva não contestada, em que nossas
convicções provam que as coisas são somente como as vemos e não existe alternativa para aquilo que
nos parece certo. Essa é nossa situação cotidiana, nossa condição cultural, nosso modo habitual de ser
humanos.”

Determinismo

“Quando nos encontramos com um advinho profissional, que nos promete com sua arte de predizer o
futuro, em geral experimentamos sentimentos contraditórios. Por um lado nos atrai a ideia de que alguém,
olhando para nossas mãos e baseando-se num determinismo para nós inescrutável, possa antecipar
nosso futuro. De outra parte, a ideia de sermos determinados, explicáveis e previsíveis nos parece
inaceitável. Gostamos do nosso livre-arbítrio e queremos estar além de qualquer determinismo.”

Certezas

“O conhecimento do conhecimento obriga. Obriga-nos a assumir uma atitude de permanente vigília contra
a tentação da certeza, a reconhecer que nossas certezas não são provas da verdade, como se o mundo
que cada um vê fosse o mundo e não um mundo que construímos juntamente com os outros.”

Planeta Terra

“O mundo sempre foi maravilhosamente acolhedor. Se assim não fosse, a história do ser humano não
teria acontecido. Um ser só sobrevive em um entorno que o receba. Caso contrário, torna-se negativo e
agressivo e não resiste. Apesar de vivermos um momento de negação do amor, só sobrevivemos porque essa emoção persiste nos vínculos que definem a vida em sociedade. É no amor que alcançamos o
bem-estar e realizamos nossa condição humana.”

Dor

“A dor nos faz perguntar. Apesar de difícil, é uma oportunidade única de transformação, assim como a
curiosidade, que não nos permite submissão aos padrões externos. Quando tropeçamos, dói o pé. Isso
faz pensar sobre o modo de andar, a atenção ao caminhar, os desafios do trajeto. A dor da alma também
ensina.”

Amor

“O ser humano não vive só. A história da humanidade mostra que o amor está sempre associado à
sobrevivência. Sobrevive na cooperação. Se a mãe não acolhe o bebê, ele perece. É o acolhimento que
permite a existência. Numa de suas parábolas, Jesus fala do camponês lançando sementes ao solo.
Algumas caem nas pedras e são comidas pelas aves, outras caem num solo árido e resistem por pouco
tempo. Mas há aquelas que encontram boa terra e crescem vigorosas. Assim também nós precisamos de
um solo acolhedor para nos desenvolver. Nosso solo acolhedor é o amor.”
“O amor nos dá a possibilidade de compartilhar a vida e o prazer de viver experiências com outras
pessoas. Essa dinâmica relacional está na origem da vida humana e determinou o surgimento da
linguagem, responsável pelos laços de comunicação e que inclui ações, emoções e sentimentos.”
“O amor, ou, se não quisermos usar uma palavra tão forte, a aceitação do outro junto a nós na
convivência, é o fundamento biológico do fenômeno social. Sem amor, sem aceitação do outro junto a nós,
não há socialização, e sem esta não há humanidade. Qualquer coisa que destrua ou limite a aceitação do
outro, desde a competição até a posse da verdade, passando pela certeza ideológica, destrói ou limita o
do fenômeno social.”
“Amar é uma atitude em que se aceita o outro de forma incondicional e não se exige ou se espera nada
como recompensa. Amar implica ocupar-se do bem-estar do outro e do meio ambiente. Em vez de oferecer
instruções do que e como fazer, amar é respeitar o espaço do outro para que ele exista em plenitude.”

Kurt Lewin e a Teoria de Campo

Kurt Lewin e a Teoria de Campo: o nascimento da psicologia social

As idéias de Kurt Lewin foram a gênese da psicologia social e das organizações.


por Arturo Torres

Na história da psicologia, há poucas figuras tão importantes e influentes como Kurt Lewin.
Este pesquisador não foi apenas um dos promotores da psicologia da  Gestalt,mas também
é considerado o pai da  psicologia social e da  psicologia das organizações.

Kurt Lewin também foi o criador da Teoria de Campo, que serviu de base para o
desenvolvimento de pesquisas sobre dinâmicas de grupo, muito aplicáveis ​​no ambiente
organizacional e empresarial. Então, para entender seu legado, voltaremos aos anos em que
Kurt Lewin desenvolveu suas ideias.
Os primeiros anos
Kurt Lewin nasceu em 1890 em uma família judia que morava em Mogilno, uma cidade que pertencia naquele tempo ao reino da Prússia e agora faz parte da Polônia. Depois que ele e sua família se mudaram para Berlim, Kurt Lewin começou a
estudar medicina na Universidade de Freiburg, mas um pouco mais tarde mudou-se para
Munique para se formar em biologia. De volta a Berlim, e sem ter terminado seu treinamento,
ele se interessou mais por psicologia e filosofia, uma disciplina que ele começou a estudar em
1911. Naquela época, ele já havia começado a participar de iniciativas ligadas ao socialismo,
ao marxismo e à luta pelos direitos das mulheres, e acreditava que a psicologia aplicada
poderia ser útil na promoção de reformas a favor da igualdade.

Forjando a psicologia de Gestalt

Com o início da Primeira Guerra Mundial, Kurt Lewin foi enviado à frente para servir na
artilharia. No entanto, foi imediatamente ferido, e permaneceu convalescente por vários dias.
Naquele momento, começou a fazer uma descrição do campo de batalha utilizando termos
topológicos que recordam aquilo que seria feito a partir da teoria do Gestalt, que na época
estava se preparando, e também lembrou a teoria topológica  que ele criaria mais tarde.
De volta a Berlim, além do doutorado em filosofia, Kurt Lewin começou a trabalhar no Instituto
de Psicologia de Berlim . Foi aqui que  entrou em contato com outros dois grandes
representantes da psicologia da Gestalt: Wolfgang Köhler e Max Wertheimer . O cruzamento
de ideias entre eles permitiu que  consolidassem as idéias pertencentes à corrente da
Gestalt e, ao mesmo tempo, serviram de terreno fértil para que o laboratório fosse um lugar
onde as novas promessas da psicologia européia fossem formadas, como Bluma Zeigarnik.

Kurt Lewin nos Estados Unidos

Em 1933, quando  Hitler e os nazistas chegaram ao poder, Kurt Lewin decidiu se mudar
imediatamente para outro país. Ele acabou emigrando para os Estados Unidos depois de
tentar, infrutiferamente, obter um cargo de professor universitário em Jerusalém e, graças aos
contatos de Wolfgang Köhler, conseguiu entrar para trabalhar na Universidade de Cornell
para depois se mudar para Iowa. Em 1944 foi nomeado Diretor do Group Dynamics
Research Center no MIT, Massachusetts.
Durante este tempo, Kurt Lewin trabalha especialmente em fenômenos sociais que têm a ver
com a interação social e investiga os efeitos da pressão social sobre os hábitos alimentares
das crianças e as dinâmicas de trabalho mais efetivas nas organizações. Portanto, as áreas
tocadas por Kurt Lewin foram muito além do que costumava ser associado ao repertório de
atividades de um psicólogo, seja da Gestalt ou de qualquer outra escola.
Quando Kurt Lewin morreu em 1947, ele já havia aberto uma porta que daria lugar ao
novo ramo da psicologia: psicologia social .

Teoria do campo de forças

Nos anos em que Kurt Lewin morou na América do Norte, o  behaviorismo era o paradigma
predominante nos Estados Unidos. Os behavioristas entendiam que o comportamento
humano é o resultado da forma como o ambiente influencia os indivíduos, mas Lewin c
começou a criar uma visão de psicologia muito diferente daquela. Ele, como os
representantes da Gestalt na Europa, entendia que as pessoas não são um simples agente
passivo que reage aos estímulos, mas age de acordo com a maneira como percebem
que eles interagem com o meio ambiente . A interação foi, então, o elemento fundamental
que Kurt Lewin incluiu em suas análises.
A Teoria de Campo é a maneira de capturar a ideia de que a psicologia não deve se
concentrar no estudo da pessoa e do meio ambiente, como se fossem duas peças a serem
analisadas separadamente, mas devemos ver o modo como elas se afetam em tempo real.
É por isso que Kurt Lewin trabalhou com categorias como "espaço de vida" ou "campo":
o interessante para ele era a dinâmica, as mudanças e não as imagens estáticas do que
acontece em cada momento, o que ele entendeu, só era útil para descrever o que acontece
em cada fase de um processo e não somente explicar.
Para descrever os processos de mudança, Kurt Lewin foi inspirado pelos estudos de física
e emprestou a ideia do campo de força . Para ele, o comportamento individual ou individual
pode ser entendido como um processo de mudança que leva de uma situação inicial a outra.
Assim, a Teoria de Campo de Lewin estabelece que o que acontece enquanto esse processo
de mudança ocorre passa dentro de um campo dinâmico no qual o estado de cada parte
deste campo de força afeta todos os outros.
As variáveis ​​mais importantes que atuam nos campos ou "espaços vitais" são, para Kurt
Lewin, a tensão,a força e a necessidade, graças às quais o comportamento tem um propósito.

Kurt Lewin e pesquisa-ação

Kurt Lewin entendeu que, como em um campo de forças, todas as partes se afetam, e para
entender o comportamento humano, devemos levar em consideração todas as variáveis ​​que
intervêm em tempo real nas ações de indivíduos e grupos , desde o espaço em que estão
à temperatura, à maneira como eles socializam entre eles, etc. Além disso, esses elementos
não podem ser analisados ​​isoladamente, mas devemos nos concentrar no estudo de suas
interações para ter uma visão holística do que acontece.
Mas isso leva a uma ideia de que na época era revolucionário: como o que é estudado não é
algo isolado, mas interação, não devemos ter medo de afetar o objeto de estudo como
pesquisadores. Além disso, intervir no campo de força nos permite introduzir dinâmicas que
nos ajudarão a entender os mecanismos que funcionam neste campo.

Em suma, de acordo com Kurt Lewin, a influência sobre essas dinâmicas ajuda a ter uma
imagem verdadeira do que acontece. Isso foi cristalizado em uma das frases mais famosas
deste psicólogo: para entender um sistema, você deve mudá-lo . Este é o princípio da
pesquisa-ação que Kurt Lewin propôs como um método efetivo para entender e melhorar a
dinâmica social.